Chovia. Eu mal sentia o cheiro de terra molhada do qual tanto gostei na infância as gotas de chuva esmurrando as janelas, e o meu menino na cama tremendo. Mesmo morando em uma parte do país na qual raramente chove aconteceu ontem, aconteceu hoje, oh Deus por favor que não aconteça amanhã! Não me esqueço da primeira vez e o barulho da água apenas refresca a memória uma ferida aberta no meu chão de mato verde.
Meu menino e eu na rua, ele uma vida tão pequenina tão dependente de mim, pensei que poderia guardá-lo como fazia com minhas bonecas. A primeira gota pingou no meu nariz e o ser nos meus braços estremeceu, gritou como nunca havia gritado, não chorou, apenas aquele grito molhado rasgado desesperado. Eu corri meu corpo me disse para fazê-lo.
A porta de casa fechada me deu desespero tirei a chave do bolso e a abri com minha mão direita, meu menino ainda estremecia mas não gritava mais, lhe dei um banho morno, troquei sua roupa e o pus no berço ele silencioso respirava.Agora apenas uma mudez ruidosa,como posso sustentar seu medo,sendo eu ainda menos corajosa?
Agora ele mal cabe no meu colo e raramente o pede apenas fica embaixo das cobertas tremendo sem grito sem gemidos,as gotas não tem dúvidas e batem no teto nas janelas e no asfalto do que afinal ele tem medo?Talvez apenas de desfazer-se.


Oi, tudo bem?
ResponderEliminarAchei esse conto super profundo e achei ele super capaz de nos fazer se sentir no papel dessa mãe assustada. Achei muito interessante a parte "como posso sustentar seu medo, sendo eu ainda menos corajosa?", nos faz refletir como os pais tomam como obrigação ter que se mostrar sempre corajosos, já que, a partir do momento em que o filho nasce, se tornam exemplo de coragem e de suporte para ele, não é?
Abraços!
www.acampamentodaleitura.com
Que interpretação interessante Gleydson, fico muito feliz que gostou do conto, às vezes escrevo, mas não entendo tudo rsrs...
EliminarQue conto bonito!
ResponderEliminarEu gosto muito de histórias curtas porque acho que elas tem um poder imenso! Adorei a forma como você falou da responsabilidade dos pais de fazer com que a gente se sinta protegido de tudo e conforme a gente vai crescendo, vai deixando a proteção de lado pra tentar ser alguma coisa na vida.
Muito intenso. Gostei bastante!!
Que bom que gostou Bianca!
EliminarOlá, tudo bem? Que sensibilidade de conto. Me senti como se fosse essa mãe e perpasse tudo na minha cabeça. Adorei as suas palavras, a delicadeza do mesmo, e a mensagem também. Ótima postagem e escrita!
ResponderEliminarBeijos
Obrigada Ana!
EliminarOlá! Que conto lindo, acredito que você tem muita sensibilidade para a escrita, demonstrando exatamente como as mães devem se sentir a cada momento do seu dia.
ResponderEliminarEspero ler outros contos seus por aqui, quem sabe você se anima e publica uma das suas histórias na amazon, néh?
Viviane Almeida
Resenhas da Viviane
Quem sabe?
EliminarFiquei muito feliz com seu comentário.
Té mais!
Eu gosto muito de ver textos assim e esse seu está tão profundo, nos traz uma inquietude durante a leitura e nos deixa uma reflexão ao final. Gostei bastante
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