Ano: 1987/ 2008
Páginas: 360
Sinopse: Neste romance que alçou Murakami à condição de ícone cultural, o autor retrata a angústia e o desamparo da transição da adolescência à idade adulta. Publicado originalmente em 1987, Norwegian Wood foi o livro que alçou o japonês Haruki Murakami da condição de autor cult à de ícone cultural.
Resumão do Enredo
A história começa com o protagonista Watanabe Toru de 37 anos, dentro de um avião quando a música dos Beatles “Norwegian Wood” começa a tocar e o arrasta para uma série de lembranças de sua adolescência e início da vida adulta. Ele relembra então de memórias envolvendo Naoko e Kizuki seu melhor amigo na época da adolescência, Kizuki se suicidou aos 17 anos sem nenhuma explicação e aparentemente sem motivo, deixando Naoko e Toru desnorteados e tendo que lidar com as consequências emocionais dessa perda.
Dois anos depois do suicídio de Kizuki, acompanhamos a vida do Toru de 18 anos, seu ingresso na faculdade de Artes Dramáticas seu cotidiano no alojamento de rapazes onde dividia um quarto com um personagem muito peculiar apelidado de nazista, pois tinha hábitos diferentes dos demais jovens do alojamento.Toru não está interessado realmente na faculdade na verdade ele a acha extremamente entediante e sem propósito. Um dia andando no metrô ele encontra Naoko e os dois caminham pela cidade diversas vezes até que se envolvem num relacionamento um pouco incerto e instável, logo depois da primeira relação deles Naoko é internada numa clínica para conseguir se tratar de problemas psicológicos.
Com a internação de Naoko Toru se sente ainda mais solitário e apesar de gostar de solidão ele gostaria também de um pouco de contato humano, nessa fase ele conhece Nagasawa que o leva para noitadas em que eles bebem e fazem sexo com garotas desconhecidas, como um meio de escape do tédio e da falta de sentido, nessa época Toru também conhece Midori uma colega da faculdade super divertida que vai aos poucos ocupando espaço no coração de Toru.
Impressões de leitura
Segunda vez no ano que leio Norwegian Wood, justamente para fazer a primeira resenha do blog e me impressiona a leveza com que avançamos na leitura de um livro com temas tão pesados.Esse é o primeiro livro de Murakami que leio por completo e com certeza foi uma experiência muito boa.
Na minha percepção uma das coisas mais interessantes nesse romance é ver como a escrita do autor ainda não está amadurecida, as características que geralmente atribuem a Murakami ainda estão embrionárias nesse livro, é muito legal poder observar isso, ainda mais pra quem quer escrever um romance um dia.
Quanto a própria história é muito leve, sensível e singela, no início o protagonista Toru fala muito sobre a instabilidade da memória, já que é o Toru de 37 anos tentando recontar sua juventude, ele reflete sobre como a narrativa que formamos de quem somos afeta “distorce” constrói e reconstrói nossa memória.
Por isso o livro tem uma pegada meio Madalena de Proust, (O Tempo Perdido) o personagem come um doce e é invadido por sensações e lembranças no caso do Toru é uma música, isso me fez pensar que a memória é feita muito mais de perspectivas, sentidos e sentimentos do que apenas de fatos, o que faz dela ambígua e muitas vezes confusa.
O livro é repleto de melancolia e de reflexões sobre a sociedade, sobre suicídio e também sobre a construção de individualidades, apesar de contar com personagens bem excêntricos e diálogos igualmente excêntricos a história passa muita veracidade.
Além disso, outra coisa que gostei muito foi da personagem Midori, uma personagem questionadora e extrovertida que trouxe para a trama algumas questões como a hipocrisia do meio intelectual a falsidade das “Revoluções” e o sexismo de maneira muito leve, apesar dela também ter seus fantasmas, como todo ser humano.
Murakami definitivamente sabe como construir personagens, com uma pequena ressalva quanto a Reiko, que diga-se de passagem apesar de ser uma personagem interessante tem uma história, digamos, um pouco incongruente…
Fora isso eu gostei bastante do livro e recomendo, principalmente se você gosta dos chamados “romances de formação” como A Montanha Mágica, O Apanhador no Campo de Centeio, David Copperfield, entre outros.
Trechos favoritos:
“Sou do tipo de pessoa incapaz de entender bem alguma coisa, seja lá o que for, se não a puser por inteiro no papel”.
“Muito depois de o vaga lume desaparecer, seus traços luminosos continuaram dentro de mim. Atrás das minhas pálpebras cerradas, dentro das espessas trevas, seu brilho suave continuava a vagar como uma alma perdida.
Estendi várias vezes os braços em direção a essas trevas, meus dedos nada tocaram. A pequena luz estava sempre um pouco além do meu alcance”.
“A maioria desses universitários é uma farsa completa.Eles morrem de medo que alguém descubra que eles não sabem alguma coisa”.
“(...) Haja ou não revolução, ao povo só resta continuar vivendo sua vidinha de merda. Revolução, pois sim! É só uma mudança de nomes das autoridades”.
“Na segunda semana de setembro, cheguei à conclusão de que o ensino superior era desprovido de qualquer significado. Resolvi entendê-lo como um período de treinamento para suportar o tédio”.
“Aos domingos eu não dava corda em mim mesmo “.


Eu não conhecia e chamou minha atenção por tratar de temas fortes dentro das memórias do personagem. E eu acabei me vendo um pouco, pois tenho isso, algumas músicas me remetem a outros tempos da minha vida e me pego pensando lá atrás. Achei interessante também a construção dos personagens e o desenvolvimento da história. Além dos quotes escolhidos, que já deram um sabor dessa leitura. Gostei e vou levar essa dica.
ResponderEliminarOi Fernanda!Música também mexe demais comigo,quando assisto um filme e uma série e gosto muito se deve a trilha sonora. O que seríamos sem música.
EliminarOlá!
ResponderEliminarNão conhecia esse livro, mas achei muito interessante suas colocações.
Realmente tudo que envolve nossa mente (como por exemplo as lembranças) é bastante complexo.
Fiquei curiosa para saber mais sobre a Midori! Adorei a resenha!
Beijos.
https://www.garotasdevorandolivros.com/
Essa personagem é muito interessante, que bom que ficou curiosa.
EliminarBeijos!
Oi Monique.
ResponderEliminarEstou conhecendo este livro através da sua opinião e já adicionei na meta de leitura porque parece ser uma história bem interessante. Gosto de histórias com termas fortes e foi bom saber que a personagem é questionadora. Parabéns pela resenha.
Bjos
Obrigada pela visita Kênia♡
EliminarOlá!
ResponderEliminarNão conhecia o autor ou esse título, mas achei a premissa bem interessante mesmo que tenha me passado uma certa constante que pode tornar a leitura um pouco lenta para o meu estilo. Porém, amei a sua resenha e pretendo dar uma chance um dia desses, obrigada pela apresentação e pela dica.
Beijos
https://leitura-terapia.blogspot.com
É o ritmo é meio lento mesmo, mas é muito gostoso.
EliminarOi Monique, tudo bem? Fiquei apaixonada pelas suas impressões do livro, com certeza vou realizar a leitura dos livros desse autor ainda esse ano, mesmo ele escrevendo sobre temas tão pesados e difíceis de digerir.
ResponderEliminarViviane Almeida
Resenhas da Viviane
Fico feliz que gostou Viviane ♥
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